PUXADINHO 

ficha técnica

  • Localização: Vila Madalena, São Paulo – SP 
  • Ano Projeto: 2016 
  • Ano Obra: 2016 
  • Área Terreno: m2 
  • Área Projeto: 18 m2
  • Autores: Fernando O’leary, Pedro Domingues, Pedro Faria  
  • Colaboradores: 
  • Cliente: Privado 
  • Projetos Complementares e Consultorias: –  
  • Fornecedores: Prototyp& (produção), Marcenaria Embaúba (marcenaria), Borges Lima Construções (civil e hidráulica), Ramper Instalações (elétrica), Reinaldo Pombo (Serralheria) 
  • Fotos: Manuel Sá 
  • Prêmios: Indicado ao Prêmio Building of The Year 2018, do ArchDaily na categoria “Small Scale Architecture” 
  • Publicações: GIZ Brasil – Outubro de 2017, Divisare, Design Milk, ArchDaily World, ArchDaily Brasil 

Anexo a apartamento térreo na Vila Madalena, São Paulo – SP 

Eram dois amigos jovens que compraram um apartamento térreo em um prédio residencial no bairro da Vila Madalena. Apesar de intensa, a vida por ali mantém aspectos bucólicos dos bairros residenciais de São Paulo. 

Frequentemente começaram a receber jovens como eles, brasileiros e estrangeiros, que se hospedavam no pequeno espaço no fundo do apartamento por pequenas temporadas. Repararam, então, que podiam aproveitar o espaço para receberem as pessoas com muito mais conforto. 

O nome “Puxadinho” foi escolhido por remeter a um tipo de construção informal muito comum nas cidades brasileiras e, ao mesmo tempo, era uma maneira simpática de identificar o caráter peculiar da edificação, anexa à construção previamente existente. 

Os desafios para projeto e para a obra foram, incialmente, o orçamento extremamente limitado, além do pequeno espaço e o difícil acesso ao local de obra. 

A primeira providência foi demolir a construção existente, um quarto bem precário, e criar dois quartos e um banheiro que poderiam ser utilizados separadamente ou em conjunto, ampliando, portanto, a capacidade do espaço. 

Contudo, ao longo do processo, foi possível identificar a oportunidade de ampliação das áreas sociais enquanto os dormitórios não estivessem ocupados e a possibilidade de uso da cobertura para o cultivo de plantas e para uma área de lazer que permitia tomar sol. 

A porta foi a solução fundamental adotada para a criação das novas dinâmicas desejadas. 

Na literatura ou na filosofia, as portas têm geralmente sentido metafórico que as associa a várias possibilidades no futuro ou ao fechamento de oportunidades. No sentido do dicionário, as portas servem para dar entrada ou definir saídas. 

Mas não no caso do Puxadinho: ela é o elemento principal, responsável pela flexibilidade dos diferentes espaços, ampliando-os ou restringindo-os, mas sempre estabelecendo diversos níveis de integração entre as áreas sociais e os espaços privativos.  

Versátil, por meio da porta, um mesmo espaço pode dar lugar a uma de três possibilidades: um local de estar e uma suíte, ou, um local de estar com um quarto e um banheiro ou, então, dois quartos e um banheiro. 

A cobertura, que ampliou a área externa para o nível superior, além de oferecer uma vista privilegiada para a cidade, incorporou os outros usos previamente idealizados.  

O sistema construtivo consistiu na utilização de lajes em painéis treliçados de concreto pré-moldado apoiadas sobre alvenaria estrutural em blocos de concreto. Este sistema possibilitou uma construção barata, rápida e eficiente para um pequeno espaço de difícil acesso. Já esquadrias, bem como a escada e os bancos foram feitos em serralheria e marcenaria. 

O toque de sustentabilidade que empresta ao projeto outro traço de modernidade é o fato de que toda a água de chuva drenada na cobertura é direcionada para uma cisterna possibilitando seu uso para limpeza da área externa e irrigação das plantas. 

Ao agregar conceitos de versatilidade, sustentabilidade e modernidade a intervenção no espaço original que deu origem ao sonho dos jovens amigos e ao Projeto Puxadinho ressignifica também o conceito desse tipo peculiar de construção informal tão comum na realidade brasileira. 

 

Texto por Fátima Menezes. 

⇠ Voltar